Rita Lee: uma autobiografia - Trechos de entrevistas



"O ESTADO DE SÃO PAULO"

Há momentos delicados de sua história que você não deixou de fora. Você pensou muito até se decidir revelar fatos delicados?
Na medida em que escrevia, percebi que, ao mesmo tempo em que exorcizava os traumas, eu também dava gargalhada das minhas patetices existenciais. Essa bio foi uma autoterapia curadora.
Por que decidiu deixar explícita a vontade de mostrar determinados trechos da escrita encobertos por longos traços negros?
Quis deixar registrado o meu lado daquela história (que a imprensa não se dignou saber na época) até que o processo que ainda corre por lá prescreva, daí descubro os “longos traços negros” e você poderá saber os mistérios entre o céu e a terra.
A roqueira cansou? Esse livro fecha sua história ou acha que ainda vai produzir fatos biográficos em sua carreira?
O que mais me orgulha nos 50 anos de estrada foi nunca ter vendido a alma para leis rouanets e palanques políticos. Dos palcos, quero distância; da música, nunca, continuo fazendo o que mais gosto que é compor. Escrevi a biografia daquela “ritalee” de cabelos de fogo que saía em turnês – a de hoje está beirando os setentinha, deixou os cabelos brancos e acha a vida de dona de casa o maior barato. Envelhecer não é para maricas. Ainda me falta muita coisa a fazer. (Colaborou Julio Maria)
"O GLOBO"
Em “Rita Lee: uma autobiografia”, resultado de um mergulho na sua memória (“já queimada pelos incêndios existenciais que eu mesma ateei”, como brinca ela), a honestidade consigo mesma é a regra. “Se o passado me crucifica, o futuro me dará beijinhos”, escreve a cantora, em meio a relatos sobre a infância, os tempos com os Mutantes, as dificuldades em começar a carreira solo, o sucesso, o amor, as drogas e as mil confusões de sua vida. É um livro-catarse em que ela dá a sensação de ter esvaziado o pote da existência.

— Nem bem abri um pote e você diz que já esvaziei todos? — provoca Rita, em entrevista por e-mail, repleta de risos “rsrs” de linguagem internética (a preferencial para a sua comunicação nos últimos anos). — A ideia de ir escrevendo minha vida foi sem pressão de nada nem de ninguém. Com o tempo, a coisa foi se transformando numa verdadeira autoterapia onde descrevo impressões boas e más com distanciamento e bom humor.
— Autoterapia serve para isso mesmo, para perceber que todo dramalhão tem um lado comédia. E que, apesar de ter sido uma, não compro fazer papel de vítima, muito menos ficar babando ovo para mim mesma — diz. — É uma bio impressionista e despretensiosa.

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"VIAJANDO COM RITA LEE - NELSON MOTTA"
Num remoto baile de carnaval em Rio Claro, no interior de São Paulo, a italianinha Chesa era uma bela colombina, disputada pelo jovem pierrô Ulysses Guimarães, com seus olhos azuis e seu dom da palavra, e por Charles, um arlequim filho de americanos e neto de índia cherokee. No final, o gringo ganhou a italianinha. Era o futuro pai de Rita Lee, como ela conta em sua sensacional autobiografia:
“Difícil me imaginar uma Rita Guimarães, deputada do PMDB, defensora dos ‘frascos e comprimidos’, praticamente uma Neusinha Brizola coxinha.”

Sua história com Os Mutantes, que a expulsaram da banda e assim a levaram à fabulosa carreira solo, é narrada com ironia e sarcasmo, sempre chamando os irmãos Sérgio e Arnaldo Dias Baptista de “ozmano” e contando episódios gloriosos e patéticos dos “três patetas”. Mas elogia as qualidades guitarristísticas de Sérgio e o charme, talento e humor de Arnaldo, com quem se casou no cartório. Mas depois foram ao programa da amiga Hebe Camargo, rasgaram a certidão ao meio e deram à apresentadora.
Tempos depois, Hebe estava passando e recolheu Rita da rua completamente drogada e a levou para casa, deu banho, trocou as roupas e deu comida na boca.
Dramas e comédias se misturam com sexo, drogas e rock and roll, entre deboches hilariantes com as estrelas da MPB, como na sua prisão por uma bagana de maconha, que levou Elis Regina, sua arquirrival de “Rock X MPB”, a juntar uma multidão em frente à delegacia e virar melhor amiga...
E ainda estou na página 68.

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A autobiografia foi debate por jornalistas de "O Estadão":
"QUEM ACONTECE: 
Foi a primeira publicação a divulgar uma entrevista da Rita a respeito da autobiografia, e também a única a não disponibilizar o texto para a leitura da entrevista. 

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